3.12.08

Comemorações de fim de ano...

Entre as idas e voltas processuais que marcam o segundo mandato de Cássio Cunha Lima como governador da Paraíba, um fenômeno bastante curioso tornou-se uma constante quando qualquer julgamento é proferido pelas cortes das mais variadas instâncias: as comemorações estapafúrdias que varam as principais avenidas de João Pessoa, impulsionadas pelo ribombar incessante de fogos de artifício e pelos gritos dos governistas ou oposicionistas, estes ligados ao senador José Maranhão.
De dentro dos carros, uma parcela mínima da cidade pavoneia suas filiações partidárias embalada por músicas de campanha – Que campanha?
Qualquer campanha! - e pelas incessantes buzinas, em uma demonstração deprimente de auto-afirmação baseada no sucesso ou insucesso dos dois grandes caciques políticos do estado nos tortuosos caminhos que tomam seus litígios judiciais. Ao menos na capital, trata-se de uma manifestação em grande parte restrita a uma certa elite cujos vínculos com uma das duas facções dominantes muito se assemelha com a cegueira medieval que a religião tantas vezes ainda consegue despertar entre seus seguidores. A tendência circense da política local parece atingir o paroxismo nestes momentos em que o absurdo escancara para quem quiser ver – e é apenas uma questão de querer – a degeneração de nossa cultura política, primitiva e irracional. Afinal, aqui, o voto sempre foi muito mais uma questão sectária que ideológica.
Os atores que protagonizam este triste espetáculo apregoam sua fidelidade com a euforia desesperada daqueles que, de fato, vinculam sua vida profissional aos caprichos sazonais do eleitorado que, felizmente, não está limitado à nossa pouco valorosa classe dominante, marcada pelas paixões mais dissimuladas e egoístas. Resta uma terceira força surgir e quebrar o círculo vicioso que agrilhoa nosso estado a esta letargia em que se encontra. Por trás de todo o estardalhaço que marca as contendas políticas paraibanas, há um assustador e quase absoluto vácuo de idéias e valores. Ao menos aqueles que tenham qualquer relação, mínima que seja, com o interesse público. Seja lá o que isto for. Eu já nem me lembro.